Live Cinema – Segunda Noite
Ruidografia
Panetone e Digwu
A proposta aqui é converter através de aparelhos de som e vídeo o som em imagem e a imagem em som, o que resulta em ruído de ambos os lados: no som e na imagem. Esse ruído gerado é modulado ao vivo pela dupla.
O resultado não chega a ser insuportável e permite realmente uma apreciação estética do ruído. Se eu tivesse percebido isso na hora eu teria visto de outro ângulo. Enquanto acontecia a sessão de ruídos eu acharia mais interessante se pudesse observar o que ambos estavam fazendo exatamente com todos aqueles objetos na mesa, isso poderia ser projetado em algum lugar. Pensando bem, gostei mais do trabalho agora do que gostei na hora. Ainda assim fez falta observar a mesa.
O @livecinema jogou esse link agora com um vídeo da dupla:
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Ausências (canções eletroacústicas)
Dudu Tsuda, Marcos Bastos, Karina Montenegro.
A música é tudo nesse trabalho. Sustenta e mantém, enquanto as imagens tentam dizer algo e conseguem apenas criar um clima ambiente para que a música impere.
Ou explicando melhor: a música ocupa a maior parte do campo sensorial. Se as imagens tivessem alguma potência por si mesmas, algum significado ou características específicas poderiam se impôr e ocupar um tanto mais do espaço estético disponível. Não chegam a isso devido ao seu caráter genérico-videoartístico. Mas funcionam bem como plano de fundo.
De qualquer forma, o trabalho foi o mais bonito da noite.
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O Amor Segundo B. Shianberg
Beto Brant
Não sei bem ainda o que achei. Não achei tão ruim quanto a maioria das pessoas com quem conversei após a sessão.
O que mais me incomoda nesta apresentação é o fato de forjar uma liveaction sobre algo que já está pronto. Pequenas intervenções pontuais atravessando o filme mesmo. Do ponto de vista de quem cria e pesquisa liveaction performancevideo (ou whatever se queira chamar) há vários anos acho injusto um trabalho ainda verde nessa pesquisa esteja ocupando um espaço que seria destinado a artistas que pesquisam isso há muitos anos e há muitos bons por aí.
Mas enfim, é a vida, são os festivais. É o Beto Brant, o cara dá público, a sessão ficou cheia.
No palco há três Macs e pelo que percebi de longe, rodava o Final Cut nos três. Em alguns momentos ocorriam fusões de imagens e as cenas se cruzavam, o som de uma subindo e depois voltando, some imagem, volta o filme linear.
Existe também um ator em cena, ele macaqueia as cenas projetadas em muitos momentos. Em outros lê textos enquanto acontece a cena projetada. Toca uma música com seu violão preto. Só que fica uma composição meio frouxa, não chega a dar liga. Não é teatro e não é cinema, e tampouco chega a ser outra coisa.
Apesar disso enxergo no Beto Brant ao longo de seus filmes uma inquietação que muito me agrada.
E me agradou também neste filme editado ao vivo. Parece que o Beto Brant está trazendo do teatro para o cinema o frescor do ao vivo. Espero que suas contribuições nesta pesquisa sejam preciosas e belas como o resto de sua obra.
UPDATE (em 24 de outubro de 2010, já depois do Namahaiku ser rejeitado pela 3ª vez na terceira edição deste festival)
Esse trabalho do Beto Brandt, com o qual eu tentei ser justo na resenha acima, não mereceu a minha boa vontade.
É um trabalho que foi ficando cada vez pior na memória. Pensando nele hoje em dia lembro de uma sessão interminável de um filme ruim enquanto um mau ator pulava de um lado para outro em cena tentando imitar (sem sucesso) algumas cenas que apareciam na tela.
O fato do LiveCinema ter rejeitado pela terceira (e última, pois não enviaremos de novo) vez o Namahaiku contribui para a minha má vontade em relação à injusta seleção do trabalho do Beto Brandt.
Mas o trabalho apresentado era muito ruim, não mereceu estar lá.
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